5 passos para não surtar com as redes sociais do político
- Estratégia Parlamentar

- 26 de fev. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 12 de fev.

Por: Danielle Lima
Se você trabalha com comunicação política, sabe que cuidar das redes de um mandato não é só postar foto bonita. É apagar incêndio todo dia, cobrar vídeo que nunca chega e ainda ouvir que "o sobrinho faz mais barato".
A verdade é que, se o assessor disser que nunca teve vontade de largar tudo, ele está mentindo. Mas dá para organizar a casa. O segredo não é trabalhar mais, é trabalhar do jeito certo, dividindo a responsabilidade com o político.
Neste artigo, vamos direto ao ponto sobre os problemas que tiram o sono de qualquer assessor e como resolver cada um deles sem perder a saúde mental.
1. O político também tem que trabalhar (o 50/50)
O maior erro é achar que o sucesso do Instagram do vereador depende só de você. Não depende. O trabalho é meio a meio: você cuida da estratégia e da postagem, mas ele precisa dar a cara.
Sem vídeo, sem voto
Se o político não grava, não tem milagre. O eleitor quer ver quem ele elegeu, ouvir a voz, ver a reação. Card com texto bonito não ganha eleição nem fideliza ninguém.
Quem manda na narrativa
Se você faz um plano lindo para a semana, mas o político ignora e posta qualquer coisa, o trabalho vai pro lixo. Ele precisa entender que seguir o plano não é "chato", é o que traz resultado.
Como convencer o chefe
Mostre números. Pegue um político que está bombando e mostre: "Olha, ele grava vídeo todo dia. Se a gente não fizer, vamos ficar para trás". Contra fatos não há argumentos.
2. Atrasos que matam o planejamento
Nada deixa um assessor mais louco do que ficar esperando material que não chega. O vídeo que era para segunda chega na sexta à noite, e aí você tem que correr para editar.
O efeito dominó
Um atraso do político atrasa o designer, que atrasa a postagem, que faz o engajamento cair. É uma bola de neve que sempre estoura na sua mão.
Tenha sempre uma "gaveta" cheia
Nunca dependa do material do dia. Tenha fotos, vídeos antigos (TBT) e cards de datas comemorativas prontos. Se o político falhar, você tem o que postar para não deixar a rede parada.
Ferramentas que salvam
Use o Google Agenda ou o Trello para mostrar ao político o que precisa ser feito. Quando ele vê o buraco na agenda, entende melhor a urgência.
3. Entendendo que rede social não é brincadeira
Tem político que ainda acha que internet é "coisa de jovem" ou "perfumaria". Esse é o caminho mais rápido para perder a próxima eleição.
O mandato invisível
Hoje em dia, se não está na rede, não aconteceu. O eleitor não vai até a Câmara ver o discurso; ele vê o corte no Instagram. Sem digital, o mandato não existe para 90% das pessoas.
Espaço vazio é ocupado
Se o seu político não está falando sobre o buraco na rua, o adversário vai falar. E vai levar o crédito. Omissão na internet é dar voto de graça para a oposição.
Números são votos em potencial
Mostre que cada curtida, comentário e compartilhamento é uma pessoa que pode virar um cabo eleitoral. Não é vaidade, é construção de base política.
4. A vida da "Euquipe": fazendo tudo sozinho
A realidade da maioria: você é assessor de imprensa, social media, fotógrafo, editor de vídeo e ainda serve o café. A "euquipe" é comum, mas perigosa.
O perigo do "faz tudo"
Quem faz tudo não faz nada excelente. A qualidade cai, você fica exausto e o político acha que está tudo bem porque está economizando salário.
Ferramentas para sobreviver sozinho
Se não tem dinheiro para contratar, use a tecnologia. Canva para as artes, CapCut para os vídeos e ChatGPT para ajudar nos textos. Não tente fazer tudo na unha.
Quando pedir ajuda
Se o mandato cresceu, exija contratação. Mostre que com mais um braço, o alcance pode dobrar. É investimento, não gasto.
5. Crise não avisa, mas dá sinal
Crise em rede social não começa grande. Começa com um comentário, depois outro, e quando você vê, virou uma manchete negativa no jornal da cidade.
O termômetro dos comentários
O primeiro sinal de fumaça está lá. Se você não lê os comentários, vai ser pego de surpresa. Monitore tudo, todo dia.
Responder ou ignorar?
Nem toda crítica merece resposta. Às vezes, responder só dá palco para maluco. Mas se for uma denúncia séria ou mentira que está espalhando, tem que cortar o mal pela raiz rápido.
Tenha um plano de gaveta
Não espere a casa cair para decidir o que fazer. Já tenha combinado com o político: "Se falarem X, a gente responde Y". Isso evita pânico na hora H.
Tabela: Assessor Amador vs. Assessor Profissional
Situação | Assessor Amador (Sofre) | Assessor Profissional (Resolve) |
Político não grava | Reclama e deixa sem post. | Posta conteúdo de gaveta e cobra na reunião. |
Crise nos comentários | Apaga tudo ou bate boca. | Analisa, responde com educação ou ignora estrategicamente. |
Planejamento | Faz o post na hora que acorda. | Tem a semana fechada na sexta-feira anterior. |
Ferramentas | Faz tudo no Word. | Usa Canva, CapCut e IA para ganhar tempo. |
Resultado | Foca em curtida (vaidade). | Foca em engajamento e cadastro (voto). |
Perguntas frequentes para você não ficar com dúvidas
1. O que fazer se o político se recusa a gravar vídeos?
Comece com áudios ou fotos dele trabalhando com legendas fortes. Aos poucos, peça vídeos curtos de 15 segundos sobre assuntos que ele gosta. Mostre resultados de quem faz vídeo para incentivar.
2. Dá para cuidar das redes sozinho sem ficar doido?
Dá, mas precisa de organização militar. Tire um dia só para criar tudo da semana. Se deixar para fazer todo dia um pouco, você vai viver apagando incêndio e não vai ter vida.
3. Como responder a ataques de adversários?
Com classe e dados. Nunca desça o nível. Se for mentira, poste a verdade com documentos. Se for ofensa pessoal, ignore. O eleitor não gosta de político briguento de internet.
4. Qual a melhor ferramenta para agendar posts grátis?
O próprio Meta Business Suite (do Facebook/Instagram) é de graça e funciona bem. Para outras redes, o Trello ajuda a organizar, mesmo que você tenha que postar manualmente.
A comunicação política não é para amadores, mas também não precisa ser um sofrimento diário. Com organização, ferramentas certas e jogo de cintura para lidar com o político, dá para fazer um trabalho excelente e ainda ter final de semana.
Lembre-se: o político é o produto, mas você é quem faz a embalagem e a entrega. Valorize seu passe, mostre resultados e não tenha medo de cobrar postura profissional do gabinete.
Este artigo foi escrito por Gisele Meter - Consultora especializada em marketing político e estratégias digitais.
Leitura recomendada
Referências Bibliográficas
1.KOTLER, Philip. Marketing 4.0. Editora Sextante, 2017.
2.MANUAL DE COMUNICAÇÃO SECOM. Redes Sociais no Setor Público. Brasília, 2022.
3.LILLEKER, Darren G. Political Communication and Cognition. Palgrave Macmillan, 2014.
4.CASTELLS, Manuel. Redes de Indignação e Esperança. Editora Zahar, 2013.
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