top of page

Como comunicar os 100 dias de governo (mesmo quando pouca coisa saiu do papel)

  • Foto do escritor: Gisele Meter
    Gisele Meter
  • 2 de abr. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 12 de fev.


Como comunicar os 100 dias de governo

Chegar aos 100 dias de governo é um marco simbólico. A imprensa cobra, a oposição critica e o eleitor espera ver a máquina funcionando. Mas a realidade de quem assume uma prefeitura ou um mandato legislativo é bem diferente da expectativa.


Muitas vezes, os primeiros três meses são gastos apenas para "arrumar a casa":

licitações travadas, contratos vencidos, computadores sem sistema e uma equipe ainda batendo cabeça.


O resultado? Pouca ou nenhuma obra física para inaugurar.


O erro é tentar inventar entregas que não existem. O segredo está em comunicar o que é invisível aos olhos, mas essencial para o futuro.


1. A armadilha da "obra fantasma"


A pior estratégia é maquiar a realidade. Pintar um meio-fio não é obra estruturante. Se o governo não tem grandes entregas físicas, assuma a postura de "gestão responsável". Mostre que o tempo foi usado para destravar o que estava parado.


O eleitor aceita a verdade, desde que ela venha acompanhada de um plano. Dizer "não fizemos a ponte ainda porque descobrimos uma dívida de 2 milhões e estamos pagando" gera mais respeito do que inaugurar uma ponte que cai na primeira chuva.


2. O que é "entrega invisível"?


Nem todo trabalho envolve cimento e tijolo. Existem vitórias administrativas que precisam ser traduzidas para a linguagem do povo.


  • Economia: Renegociou contratos e economizou dinheiro público? Isso é entrega.

  • Destravamento: Conseguiu a licença ambiental que estava parada há 2 anos? Isso é entrega.

  • Organização: Colocou remédio na farmácia que estava vazia? Isso é entrega.


O papel da comunicação é transformar o ato burocrático em benefício real.


  • Errado: "Realizamos o recadastramento dos servidores."

  • Certo: "Acabamos com os funcionários fantasmas e agora sobra dinheiro para a saúde."



manual do consultor

3. A narrativa da "Casa em Ordem"


Se não há inauguração, deve haver organização. A narrativa dos 100 dias deve focar na preparação do terreno. Use a metáfora da construção: "Ninguém vê a fundação do prédio, mas sem ela, o prédio cai".


Mostre as reuniões com secretários não como "cafezinho", mas como "resolução de problemas". Mostre as visitas técnicas não como "passeio", mas como "diagnóstico para agir".


4. O poder da escuta ativa nos 100 dias de governo


Se você não pode falar sobre obras prontas, fale sobre ouvir as pessoas. Os 100 dias são o momento ideal para lançar programas de participação popular. "Ouvimos 5.000 pessoas para decidir onde investir o dinheiro". Isso gera a sensação de movimento e pertencimento, mesmo sem a obra física iniciada.


Livro gestão de crise para políticos

5. Antecipação de futuro (sem promessa vazia)


Não prometa o que não pode cumprir, mas aponte a direção. "Nos primeiros 100 dias, limpamos o terreno. Nos próximos 100, vamos levantar as paredes". Crie um cronograma visual e simples. O eleitor precisa ver que existe um plano com começo, meio e fim.


6. Gestão de expectativa e crise


A oposição vai bater dizendo que "o governo não fez nada". Se você não tiver a sua narrativa pronta, a narrativa deles vai colar. Antecipe-se. Faça um balanço honesto: "Encontramos X problemas, resolvemos Y e agora vamos focar em Z".



Tabela: comunicação de resultados invisíveis


O que aconteceu (Fato)

Como comunicar (Narrativa)

Licitação de merenda travada foi resolvida.

"Garantimos comida de qualidade no prato do seu filho."

Dívidas da gestão anterior foram pagas.

"Limpamos o nome da prefeitura para voltar a investir."

Equipe técnica foi contratada.

"Acabou o cabide de emprego: agora tem gente técnica trabalhando."

Projeto de lei foi protocolado.

"Demos o primeiro passo para mudar a lei que atrapalha sua vida."


Perguntas Frequentes para não ficar com dúvidas sobre os 100 dias de governo


1. Vale a pena fazer evento de 100 dias sem obras?


Sim, mas foque em um evento de prestação de contas e transparência, não de festa. O tom deve ser de trabalho e seriedade.


2. E se a imprensa só perguntar o que não foi feito?


Treine o político para responder com o que foi feito para permitir que a obra aconteça no futuro. "Não fizemos a obra ainda porque tivemos que pagar a dívida deixada, mas o projeto já está pronto."


3. Como mostrar reuniões chatas de forma interessante?


Foque no resultado da reunião. Não poste "Reunião com o secretário". Poste "Definimos hoje a data para começar a reforma do posto de saúde".


4. O vereador também precisa prestar contas de 100 dias?


Com certeza. Ele deve mostrar quantos requerimentos fez, quantas fiscalizações realizou e como está cobrando o executivo. Vereador não faz obra, mas faz o mandato acontecer.


Para finalizar


Os 100 dias não são a linha de chegada, são apenas a largada. Se a comunicação conseguir mostrar que a "falta de obras" é, na verdade, um sinal de responsabilidade e planejamento, o governo ganha tempo e confiança para entregar resultados reais no futuro. O silêncio é o pior inimigo; comunique o processo.


Quer ouvir esse conteúdo em áudio?


podcast

Este artigo foi escrito por Gisele Meter - Consultora especializada em marketing político e estratégias digitais.


Leitura recomendada



Referências bibliográficas


MANZINI, Marcelo. Marketing Político: Como vencer eleições e mandatos. Editora Matrix, 2022.

KUNTZ, Ronald A. Marketing Político: Manual de Campanha. Editora Konrad Adenauer, 2011.

DUARTE, Jorge. Comunicação Pública: Estado, Mercado, Sociedade e Interesse Público. Editora Atlas, 2011.

BRANDÃO, Elizabeth Pazito. Comunicação Pública: Conceitos e Fundamentos. Editora Saraiva, 2012.


 
 
 

Comentários


PORTAL DO ASSESSOR É UMA PLATAFORMA DA ESTRATÉGIA PARLAMENTAR SOLUÇÕES DIGITAIS LTDA - CNPJ 40.560.449/0001-29 | R. Francisco Rocha, 198 - Batel, Curitiba - PR, 80420-130 - Copyright © 2026. Estratégia Parlamentar - Todos os Direitos Reservados.

bottom of page