Janeiro não apaga o que veio antes. Ele cobra continuidade.
- Estratégia Parlamentar

- há 4 dias
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Existe uma ilusão coletiva de que a virada do ano funciona como um botão de reset.
Como se, magicamente, à meia-noite do dia 31 de dezembro, todos os erros estratégicos, a falta de posicionamento e a inconsistência do ano anterior fossem apagados. Não são.
Janeiro não é uma folha em branco; é a página seguinte de um livro que você já começou a escrever. E se os capítulos anteriores foram confusos, o leitor ou, no nosso caso, o eleitor não vai entender a história só porque o calendário mudou.
A política não perdoa vácuos de mensagens.
Enquanto muitos políticos e assessores acreditam que podem "começar do zero" agora, deixam de ver uma verdade que lá na frente a vida real cobra: a de que a reputação é cumulativa.
O que você fez (ou deixou de fazer) em 2025 já formou a base da percepção pública que você enfrentará em 2026. A virada do ano não zera o jogo; ela apenas aumenta a aposta.
A consistência vence a intensidade.
É comum ver mandatos que iniciam o ano com uma energia explosiva, lançando projetos, vídeos diários e uma presença digital massiva, apenas para perder o fôlego em março.
Essa "arrancada de cavalo paraguaio" é mais prejudicial do que a inércia, pois cria uma expectativa de presença que, quando frustrada, gera decepção.
O eleitor não quer um político que aparece somente quando convém ou quando está "motivado" pelo ano novo; ele quer alguém que esteja presente, faça chuva ou faça sol.
A armadilha da "Nova estratégia"
Mudar tudo a cada janeiro é um sintoma de amadorismo.
Se você precisa reinventar a imagem do político todo ano, é sinal de que nunca teve uma identidade sólida.
A continuidade não significa rigidez, mas sim coerência. É a capacidade de evoluir sem perder a essência.Pense nas grandes marcas ou nos líderes políticos que você admira. Eles não mudam quem são a cada ciclo.
Eles adaptam a mensagem ao contexto, mas os valores centrais permanecem inalterados. Se o eleitor precisa "reaprender" quem você é a cada eleição, você já perdeu.
O que Janeiro NÃO é | O que Janeiro DEVE ser |
|---|---|
Um momento para inventar uma nova personalidade. | Um momento para reafirmar e fortalecer seus valores centrais. |
A hora de prometer o impossível para gerar engajamento rápido. | A hora de apresentar um plano de ação exequível e transparente. |
O início de uma maratona de intensidade insustentável. | O início de uma rotina de consistência disciplinada. |
Uma desculpa para ignorar os erros do passado. | Uma oportunidade para corrigir rotas com base em dados reais. |
Construindo sobre o alicerce (mesmo que ele tenha falhas)
Para 2026, o foco não deve ser em "novidades bombásticas", mas em manutenção e expansão.
Manutenção da base que já confia em você e expansão para novos públicos através da repetição consistente da sua mensagem.
A repetição é a mãe da reputação. Ninguém decora uma música ouvindo-a uma única vez; ninguém confia em um político vendo-o apenas em época de campanha ou em "janeiros promissores".
3 Passos para garantir a continuidade em 2026
Auditoria de coerência: revise suas comunicações de 2025. Elas conversam com o que você planeja para 2026? Se houver uma ruptura brusca, crie uma "ponte narrativa" que explique a evolução. Não mude de assunto sem avisar.
Defina rituais, não apenas metas: metas são o destino; rituais são o veículo. Em vez de apenas dizer "quero crescer 20% nas redes", defina o ritual diário de produção e interação que tornará isso inevitável. A rotina vence a motivação.
Valorize a base: a tentação de buscar novos seguidores é grande, mas é a sua base atual que lhe dará sustentação nos momentos de crise.
Crie conteúdo pensando primeiro em quem já está com você. A lealdade é a moeda mais valiosa na política.
Janeiro cobra continuidade porque a confiança é construída no longo prazo. Não desperdice a oportunidade de mostrar que você é o mesmo líder comprometido de dezembro, agora mais preparado.
O ano novo não traz um novo você; ele traz novas oportunidades para você ser quem sempre disse que era.
Este artigo foi escrito por Gisele Meter - Consultora especializada em marketing político e comunicação digital para mandatos. Criadora do Portal do Assessor, referência em estratégias de marketing político digital para vereadores, deputados e gestores públicos. Com experiência em dezenas de campanhas eleitorais e mandatos, Gisele ajuda políticos a fortalecerem sua presença digital e ampliarem seu alcance por meio de estratégias de marketing político comprovadas.




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