6 profissionais que todo político precisa ter na equipe de comunicação
- Gisele Meter

- 3 de mar. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 12 de fev.

Sempre que começo um projeto novo, a primeira coisa que olho é se tem gente suficiente para fazer a roda girar. Não adianta ter a melhor estratégia do mundo se não tiver quem execute.
Na política, muita gente acha que "o sobrinho que mexe na internet" resolve. Não resolve. Comunicação política é guerra de narrativa, e você não vai para a guerra com estilingue.
Mesmo que a verba seja curta e alguém tenha que acumular função, você precisa saber quais são as cadeiras indispensáveis. Se faltar uma dessas peças, o mandato fica manco.
1. Jornalista: quem fala com o mundo lá fora
Não adianta postar no Instagram se o jornal da cidade não sabe o que o político fez. O jornalista é a ponte entre o gabinete e a imprensa tradicional.
Escrever o que precisa ser lido
Ele é quem transforma a fala difícil do político em release, nota oficial e artigo que o povo entende. Sem ele, a comunicação fica amadora.
Blindagem contra perguntas difíceis
Quando o repórter liga cobrando explicação, é o jornalista quem prepara o terreno e treina o político para não falar besteira.
Além da imprensa
Hoje, o jornalista também ajuda a dar o tom sério e institucional que as redes sociais precisam em momentos de crise ou prestação de contas.
2. Social Media: o dono da chave do Instagram
Esse é o profissional que não dorme. Ele cuida da vitrine mais importante do político hoje: as redes sociais.
Calendário não é sugestão, é lei
A função dele é garantir que tenha post todo dia, na hora certa. Ele planeja o que vai entrar na segunda para não ter correria na terça.
O termômetro da rua digital
Ele lê os comentários, responde o direct e avisa o político se o clima está bom ou ruim. É o primeiro a ver a crise chegando.
Estratégia, não só postagem
Não é só "subir a arte". É saber se aquele post vai gerar voto, engajamento ou só encher linguiça.
3. Filmmaker: porque ninguém lê textão
Política hoje é vídeo. Se não tem vídeo, não tem alcance. O filmmaker é quem traduz o mandato em imagens que emocionam.
Qualidade que passa credibilidade
Vídeo tremido e com áudio ruim passa a imagem de político desorganizado. O filmmaker garante que a imagem do político seja profissional.
Agilidade na rua
Ele tem que estar colado no político. Aconteceu, gravou, editou. A internet não espera o dia seguinte.
Adaptar para cada rede
Ele sabe que o vídeo do TikTok é diferente do vídeo do YouTube. Ele corta, legenda e edita do jeito que cada público gosta de ver.
4. Designer: a cara do mandato
O visual importa. Um card feio, com letras que ninguém lê, é dinheiro jogado fora. O designer cuida da estética e da clareza da mensagem.
Identidade visual forte
As pessoas precisam bater o olho na cor e na fonte e saber que é do seu político. Isso é construção de marca.
Informação fácil de ler
O papel dele é pegar um projeto de lei complicado e transformar num card simples que a dona Maria entende e compartilha no WhatsApp.
Limpeza visual
Menos é mais. O designer evita aquela poluição visual que faz o eleitor passar direto pelo post sem ler.
5. Gestor de Tráfego: para não falar sozinho
O alcance orgânico (de graça) morreu. Se você não colocar dinheiro, só sua mãe e seus assessores vão ver o post. O gestor de tráfego é quem faz o dinheiro render.
Chegar em quem não te segue
Ele faz o post aparecer para o eleitor do bairro X, que tem idade Y e interesse Z. É tiro de precisão, não de canhão.
Otimizar a verba
Ele sabe se é melhor gastar 100 reais no Facebook ou no Google. Ele cuida do dinheiro da campanha para trazer o máximo de resultado.
Relatórios que não mentem
Ele mostra quanto custou cada visualização e cada clique. Sem ele, você está gastando dinheiro no escuro.
6. Coordenador: o maestro da orquestra
Se cada um fizer o seu sem conversar, vira bagunça. O coordenador é quem garante que o jornalista, o designer e o social media estão falando a mesma língua.
Ritmo e prazo
Ele cobra. Ele garante que o vídeo saia a tempo do post e que o texto esteja aprovado. Ele é o chato necessário.
Escudo do time
Ele protege a equipe dos pedidos malucos do político e protege o político das falhas da equipe. Ele filtra os problemas.
Visão do todo
Enquanto o designer olha a arte e o jornalista olha o texto, o coordenador olha a eleição. Ele garante que tudo isso vire voto lá na frente.
Tabela: Equipe Ideal vs. "Euquipe" (Faz-tudo)
Função | Equipe Ideal (Especialistas) | "Euquipe" (Um faz tudo) |
Foco | Cada um resolve um problema específico com qualidade. | Tenta fazer tudo, não faz nada 100%. |
Velocidade | Alta. Várias coisas acontecem ao mesmo tempo. | Baixa. Uma coisa de cada vez (e sempre atrasado). |
Qualidade | Profissional. Vídeo de cinema, texto de jornal. | Amadora. Vídeo tremido, texto com erro. |
Saúde Mental | Equilibrada. Divisão de carga. | Caos. Burnout e rotatividade alta. |
Resultado | Estratégico e constante. | Apaga incêndio e sobrevive. |
Perguntas frequentes para você não ficar com dúvidas
1. Dá para ganhar eleição só com voluntário?
Muito difícil. Voluntário tem boa vontade, mas não tem obrigação de prazo nem técnica profissional. Política profissional exige equipe profissional.
2. Qual o primeiro profissional que devo contratar?
Se tiver que escolher um só, comece pelo Social Media que saiba fazer o básico de vídeo e design. O digital é a prioridade hoje.
3. Quanto custa uma equipe mínima dessas?
Varia muito da região e da experiência, mas desconfie do "barato demais". Profissional bom se paga porque evita crise e traz voto.
4. O político pode ser o próprio coordenador?
Poder, pode, mas não deve. O político tem que estar na rua, apertando mão e fazendo política. Se ele ficar no escritório aprovando arte, quem pede voto?
Para finalizar
Montar equipe não é gasto, é investimento. Se você economiza na comunicação, paga o preço na urna. Não precisa ter a estrutura da Globo, mas precisa ter gente competente nas posições certas.
Se a verba é curta, comece com o essencial e use ferramentas para ganhar produtividade. Mas lembre-se: máquina nenhuma substitui gente boa e comprometida com o projeto.
Este artigo foi escrito por Gisele Meter - Consultora especializada em marketing político e estratégias digitais.
Leitura recomendada
Referências Bibliográficas
1.MANZINI, Marcelo. Marketing Político: Como vencer eleições e mandatos. Editora Matrix, 2022.
2.DUARTE, Jorge. Comunicação Pública: Estado, Mercado, Sociedade e Interesse Público. Editora Atlas, 2009.
3.KUNTZ, Ronald A. Marketing Político: Manual de Campanha. Editora Konrad Adenauer, 2011.
4.BRANDÃO, Elizabeth Pazito. Comunicação Pública: Conceitos e Fundamentos. Editora Saraiva, 2012.
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